Presidente da União Imperial revela bastidores do título no Carnaval de Santos, nos 50 anos da escola

  • 15/02/2026
(Foto: Reprodução)
Carnaval de Santos 2026: Confira como foi o desfile da escola de samba União Imperial Após quatro vice-campeonatos consecutivos, a escola de samba União Imperial sagrou-se campeã do Carnaval de Santos, no litoral de São Paulo. O título, o 11º da escola, chegou no ano em que a agremiação completa 50 anos de história. Ao g1, o presidente Luiz Alberto Martins, conhecido como Pelé, de 62 anos, revelou os detalhes e desafios da preparação para o desfile que teve como enredo ‘Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida' e trouxe à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz musas nacionais, como a rainha das rainhas, Viviane Araújo, e a loira do Tchan, Sheila Mello. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A União Imperial foi a primeira escola a entrar na avenida pelo Grupo Especial em 2026. O fato, que pode ser visto como um desafio no mundo do samba, não atrapalhou a organização da agremiação, que levou para passarela muita espiritualidade e impressionou o público com o carro abre-alas (veja no topo da reportagem). Presidente da União Imperial, Luiz Alberto falou sobre o título do Carnaval 2026 Sílvio Luiz/A Tribuna Jornal A escola surgiu em 1976, quando o bairro Marapé não tinha mais blocos carnavalescos e a comunidade buscou o samba em outros lugares. Na época, os moradores frequentavam as agremiações Brasil e Império do Samba, e foram convidados para integrar o desfile de um bloco do bairro Vila Mathias. O sucesso da apresentação reacendeu na comunidade do Marapé o desejo de ter um reduto próprio de samba. O nome União Imperial foi escolhido pela ‘união’ entre as comunidades do Marapé e da Vila Mathias e pela ligação com a antiga agremiação Império do Samba. Pelé contou que se aproximou da escola por influência de amigos do bairro Marapé, onde mora. Ele passou a integrar a administração em 2006, como tesoureiro. De lá para cá, foram anos de dedicação à agremiação verde e rosa, sendo sete como presidente. Ao g1, ele contou que ainda há muitos sonhos a se realizar pela escola. Confira a entrevista completa: As cores da União Imperial são em homenagem à Estação Primeira de Mangueira, mas o símbolo da águia foi escolhido por conta da escola Portela. Ou seja, como o nome diz, a escola tem a união na essência. Hoje em dia, apesar de ser afilhada da Mangueira, as referências seguem vindo de diversos lugares? Sim. Hoje em dia, com a internet e com tudo, a gente procura trazer as novas e boas práticas de vários lugares. Isso é normal. O que a gente pode ver de bom em outros lugares a gente traz e tenta implantar. Nem sempre dá certo, mas tentamos. A escola surgiu da união entre as comunidades do Marapé e Vila Mathias e pela ligação com a antiga escola Império do Samba, certo? Atualmente, essa sintonia segue com outras agremiações ou há rivalidade? Na verdade, a disputa é só ali na avenida, porque, no Carnaval, as escolas de samba precisam estar juntas para cada vez melhorar a estrutura e os recursos. Então que eu falo: É difícil ganhar um Carnaval, mas as escolas têm que ser, como se fala... coirmãs. Lógico que existe a rivalidade das torcidas, como existe no futebol, mas entre as escolas não podem ter isso não. União Imperial foi a campeã do Carnaval de Santos, SP Silvio Luiz/A Tribuna A União Imperial bateu na trave nos últimos quatro anos, quando conquistou vice-campeonatos do carnaval santista. O que mudou neste ano para a conquista do primeiro lugar? Na verdade, para ser sincero, não mudou nada na postura da escola, porque ela foi campeã em 2018 e 2019. E, nesses quatro anos em que foi vice-campeã, poderia ter sido campeã. É que, dessa vez, deu certo. Mas uma escola como a União Imperial sempre vai estar disputando ali [no pódio]. Nem sempre vai ganhar, mas vai estar sempre disputando. Antes do desfile, o senhor deu uma entrevista falando sobre tentar evitar contratempos na passarela. Foi isso que fizeram? Todas as escolas, de um Carnaval para o outro, elas procuram analisar e trabalhar nos detalhes, porque os componentes precisam cantar, precisam estar bem-vestidos, precisam entender que estão na passarela para disputar. É uma disputa que tem regras e nem sempre os componentes acham isso. Muita gente acha que vai para avenida para festa, põe um relógio, um celular e a escola acaba perdendo ponto por detalhes bestas. Então é esse cuidado que todo mundo tem que ter. Carnaval 2026 em Santos: União Imperial trouxe fantasias ricas em cores, símbolos e referências às religiões de matriz africana na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz Alexsander Ferraz Como foram os ensaios e preparativos para o desfile em homenagem ao cinquentenário da escola? Os ensaios eram terças e quintas. Começaram em meados de setembro, foram mais ou menos uns 37 ensaios, fora os ensaios de rua e o ensaio técnico lá na avenida. Então foi uma preparação muito forte. É o que falei, preparar os componentes para entrar na avenida seguindo todas as regras que a gente precisa seguir para poder ganhar o Carnaval. E em relação aos carros alegóricos. Como são os preparativos? É uma preparação muito forte. A primeira coisa que a gente começa a fazer depois de elaborar um enredo é preparar os figurinos, os desenhos e aí começar a montar os carros, que é muito trabalhoso. Tem a parte de ferragem, a parte de madeira, a parte de decoração, a parte de iluminação, a parte de logística, uma série de coisas que tem que fazer até chegar no dia da do desfile. Então é uma parte muito trabalhosa e envolve muita gente. O senhor disse que o enredo é o primeiro passo de uma preparação para o Carnaval. Como o enredo 'Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida' foi escolhido? A conversa sobre o enredo foi muito demorada porque a gente tinha uma preocupação de falar dos 50 anos da escola, mas a gente não queria falar exatamente dos 50 anos só, porque envolve muita coisa e a gente poderia cometer erros. Então, foi elaborado pelo carnavalesco e pelo Lúcio Nunes. Eles que montaram o enredo, eles resolveram trazer a espiritualidade da escola desde os ancestrais e inserir junto com a história da escola. Por isso que deu essa junção muito legal. Houve algum desafio na preparação antes do desfile? Todo ano as escolas de samba enfrentam um grande desafio que é a parte financeira, que é muito difícil. Então as escolas têm que se reinventar, reciclar, pedir ajuda para os integrantes. O maior desafio das escolas de samba é esse, porque o Carnaval é muito caro, e a gente não tem tantos recursos para fazer o Carnaval. E aí, o que acontece? A gente tem que recorrer à ajuda dos amigos ou das pessoas se doarem voluntariamente para trabalhar, essas coisas todas. Então isso é um desafio muito grande. Falando nesse assunto, qual investimento médio da escola para o desfile, entre roupas, carros alegóricos, etc.? Eu não consigo estimar agora. A gente recebe R$ 232 mil da prefeitura, da verba, e a gente tem que gastar um pouco mais. Então a gente tem que fazer evento, buscas patrocínio, buscar ajuda. E esses eventos ocorrem onde? A gente tem quadra para isso. Por exemplo, a gente tem uma ala “Amigos da União”, que eles fazem eventos para pagar as roupas dos casais. Eles fazem churrascada. A gente vai criando algumas oportunidades. Tem um parceiro que ajuda na bateria. Senão, a gente não consegue fazer o Carnaval. Mas tem alguma média de valor que dá para estimar? Uns R$ 350 mil. A União Imperial levou à passarela grandes musas do cenário nacional, como Viviane Araújo e Sheila Mello. Como foi feito o convite e qual a importância da participação dessas artistas? Tanto uma, como a outra, já tinha desfilado na União. Então elas já têm uma familiaridade com a gente, é muito mais fácil de trazê-las. E elas também são uma parte do recurso financeiro que a gente consegue. Quando a gente traz na quadra, o ensaio lota e a gente consegue fazer algum dinheiro para ajudar no nosso Carnaval, sem contar que na avenida elas são deslumbrantes. Viviane Araújo e Sheila Mello desfilaram pela União Imperial no Carnaval de Santos Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal A Viviane Araújo, por exemplo, desfila no Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo. A presença dela auxilia a comunidade levando em consideração a experiência de outros carnavais? Ela engrandece muito o Carnaval, é a rainha das rainhas. Muita gente é fã dela e, para ela, também é importante participar do Carnaval de Santos, independentemente de ser na União Imperial ou em outra [escola]. Ela gosta muito de participar do Carnaval de Santos e é uma pessoa que vai chegar e falar bem do Carnaval daqui para o Rio de Janeiro e em qualquer lugar que estiver. Vai levar o nome tanto da União quanto do Carnaval de Santos. Para o senhor, qual o momento mais emocionante na avenida? Na avenida, todos os momentos são emocionantes. A gente se emociona na hora de entrar, fica tenso na hora que a escola está desfilando para dar tudo certo, para não ocorrer nenhum imprevisto de a escola se desestabilizar dentro da avenida. E quando passa da linha, que a gente vê que deu tudo certo, a gente fica emocionado. É assim, na escola de samba, você se emociona de várias maneiras até chegar na apuração e no resultado. Então, estou sempre com os nervos à flor da pele e a sensação da emoção muito forte em todos os sentidos. Ao todo, foram 1,5 mil componentes da União Imperial na passarela. Qual o maior desafio em presidir uma agremiação com tantas pessoas? O maior desafio é você conseguir agregar as pessoas, porque são pessoas diferentes de gênero, de nível social, de todos os aspectos. São várias diferenças e a gente tem que juntar tudo isso em prol de um objetivo só, a escola, o pavilhão, o desfile, a disputa. Então, é um desafio muito grande. A gente tem que saber agregar, tem que ser agregador, tem que ser pacificador, tem que ser enérgico quando tem que ser. Cada componente é parte essencial da engrenagem para tudo funcionar? A gente tem que estar sempre lidando com tratar bem as pessoas, independente da importância, porque no Carnaval, no desfile, todo mundo é importante. O cantor é importante, a Viviane Araújo é importante, mas o cara que está empurrando o carro também é tão importante quanto. Então quem está na ala da harmonia, quem é passista, quem é mestre-sala, todo mundo tem a mesma importância. Talvez, no desfile, quem tem menos importância é o presidente. Então a gente depende de todas essas pessoas. Se uma delas, uma que seja, se quiser fazer uma besteira porque está descontente e tal, ela pode estragar tudo. Então, você tem que fazer o teu time jogar por você. União Imperial comemorou título do Carnaval de Santos 2026 na quadra da escola Sílvio Luiz/A Tribuna Jornal Há algum segredo para manter a comunidade toda unida e motivada? Eu acho que é no trato, no dia a dia: a gente procura atender às necessidades das pessoas, disponibilizar a escola, estar sempre respondendo ao que elas querem ouvir. A gente não ter arrogância, não ter vaidade, nada disso. Saber, como eu falei, que todo mundo é importante. Então, procuramos fazer isso da melhor forma possível. Claro que não conseguimos agradar a todos, mas acredito que tenhamos agradado à maioria. E houve algum perrengue que aconteceu nos bastidores da apresentação? A gente tem muitos. Até a hora de a escola entrar na avenida é uma loucura: é destaque que está chegando atrasado para pôr no carro, é ala que ainda não se formou, é a formação da ala lá que o pessoal está disperso e a gente fica com medo de atrasar, as pessoas que não chegam no ônibus. Tem um monte de coisa. União Imperial foi a primeira escola do Grupo Especial a desfilar no primeiro dia do carnaval santista Alexsander Ferraz Como presidente da escola, como o senhor avalia a importância do 11º título do Carnaval de Santos para a União Imperial? É muito importante, ainda mais que é no cinquentenário da escola. Geralmente, as escolas que falam dos seus 50 anos não ganham o Carnaval e a gente ganhou. Com certeza, todo o grupo que trabalha comigo, toda a diretoria, todos os colaboradores vão ficar na história da escola, isso não tenho dúvida. Em uma palavra, como o senhor define o carnaval desse ano? Perseverança. Há algum sonho ainda não realizado pela escola? Qual? Ah, tem vários sonhos que a gente tem. Ter uma quadra mais estruturada, ter um barracão próprio. Essas coisas são importantes para as escolas estarem preparadas, porque isso é muito difícil no nosso dia a dia. A gente tem uma quadra boa, mas a gente precisa melhorar, quem sabe refrigerar, para quando a gente ter mais sonhos e, quando chegar num Carnaval, não ter que ficar pedindo as coisas para as pessoas, porque a gente não tem recursos. Então, é muito difícil. Então, os sonhos de uma escola de samba são esses. Carnaval 2026 em Santos: União Imperial trouxe 11 alas, um quadripé, três carros alegóricos e cerca de 1.500 componentes para a Passarela Dráuzio da Cruz Alexsander Ferraz VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/carnaval/carnaval-2026-em-santos/noticia/2026/02/15/presidente-da-uniao-imperial-revela-bastidores-do-titulo-no-carnaval-de-santos-nos-50-anos-da-escola.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Anunciantes